terça-feira, 1 de junho de 2010

Trabalho do Meio de Semestre

“(…) toda a arte e toda a investigação, toda a acção e toda a escolha parecem tender a algum bem.”

Aristóteles, Ética a Nicómaco, Org:, J.Marias, M. Araújo, Centro de Estúdios Constitucionales, 1985,I,I, 1094ª

A partir do excerto diga qual o fim último da ética aristotélica e o papel da virtude na prossecução desse fim.



A expressão “(…) toda a arte e toda a investigação, toda a acção e toda a escolha parecem tender a algum bem.” refere-se à importância da arte, do conhecimento, da actividade e da intuição / escolha na busca do bem, como meio de atingir a felicidade, de acordo com a ética aristotélica.
Segundo Aristóteles, a finalidade suprema do Homem é alcançar a felicidade e o bem-estar. Como é que o consegue? O filósofo afirma que só o consegue se este souber organizar as possibilidades da sua própria natureza, ou seja, agindo de acordo com a mesma, respeitando as circunstâncias que o rodeiam, utilizando-as como apoio e não como obstáculo à sua acção. Só, assim, alcançará o bem que deseja, isto é, conseguirá levar uma “boa vida”.
Esta felicidade, que todo o ser humano ambiciona, não é um estado, mas uma actividade do Homem, mais concretamente uma forma de viver. Como a natureza humana é complexa, onde sentimentos e atitudes, por vezes, se entrelaçam ou se opõem, é necessário encontrar um equilíbrio, o qual, segundo Aristóteles, só é conseguido se se possuir virtude. A virtude, para este filósofo, impede que ideias opostas entrem em conflito, originando efeitos destrutivos no ser humano. Esta, através da educação, irá desenvolver no ser humano hábitos virtuosos e através de leis, irá fomentar o exercício da virtude pelos indivíduos, tornando-os activos e capazes de desempenhar um papel social dentro da sua colectividade, o que ajudará o homem a alcançar o bem supremo, ou seja, a felicidade. Assim, terá como objectivo fundamental o desenvolvimento do ser humano, não só para ele próprio, mas também com e para o outro. Podemos, deste modo, concluir que a virtude como tal, é obtida gradualmente, já que depende do muito exercício da mesma. O Homem, ao repetir certos actos, acaba por transformá-los numa segunda natureza, para no futuro agir sempre da mesma forma. A aquisição de bons hábitos ao longo da vida leva à felicidade e a felicidade é cada vez mais perfeita, se se basear na prática de virtudes também perfeitas, sendo a virtude mais perfeita a sabedoria que é a contemplação das verdades fundamentais da ciência e da filosofia. Daí a importância da arte (capacidade de produzir livremente, pelo simples acto de criar coisas), da investigação/sabedoria (capacidade de decidir sobre o que é bom e conveniente), da boa conduta (acção) e das boas escolhas (razão intuitiva que é a origem da ciência, a apreensão da verdade universal nos seus primeiros princípios através da indução), mecanismos fundamentais para se obter a virtude, condição fundamental para a realização da felicidade.




Bibliografia


•Conceição Soares, Ética Aristotélica, Ética e Filosofia Social, UCP-Porto 2009-2010


•http://www.trigueiros.com.br/filosofia/aristoteles.htm

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